Discursos Conectados: O capítulo com versos
ฉบับแปลโปรตุเกส · Sutta Piṭaka — The Basket of Discourses · Volume 15 · 92 pages
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- Page 1–2 Oghataraṇa-sutta – A travessia da enchente Uma divindade não nomeada pergunta ao Buda como ele atravessou a enchente (ogha, a correnteza do ciclo de renascimentos). Ele responde que a atravessou sem se deter e sem se esforçar afanosamente: quem fica parado afunda, quem se debate é arrastado pela água; é preciso manter o equilíbrio para chegar ao outro lado. A divindade então o louva como alguém que extinguiu as impurezas.
- Page 2–3 Nimokkha-sutta – A libertação Uma divindade pergunta se o Buda conhece a libertação, a emancipação e o isolamento dos seres. Ele responde que sim: pelo esgotamento do deleite na existência, pela cessação da percepção e da consciência e pelo apaziguamento das sensações. Este é o verdadeiro caminho de libertação dos seres.
- Page 3–4 Upaneyya-sutta – Conduzida adiante Uma divindade recita um verso dizendo que a vida é conduzida pela velhice rumo à morte sem nenhum refúgio; vendo o perigo da morte, deve-se fazer mérito que traga felicidade. O Buda corrige a perspectiva: vendo tal perigo, deve-se abandonar a isca do mundo (lokāmisa) e buscar a paz, e não apenas acumular mérito visando resultados mundanos.
- Page 4 Accenti-sutta – O tempo passa Uma divindade recita um verso semelhante ao do sutta anterior: o tempo passa, as noites e os dias se vão, a juventude declina pouco a pouco; vendo o perigo da morte, deve-se acumular mérito. O Buda responde enfatizando que se deve abandonar a isca do mundo e buscar a paz, mais do que apenas acumular mérito visando resultados mundanos.
- Page 4–5 Katichindi-sutta – Quantos cortar? Uma divindade pergunta em forma de enigma quantas coisas o monge deve cortar, quantas abandonar, quantas desenvolver e quantos apegos superar para atravessar a enchente. O Buda responde também em enigma: cinco de cada (referindo-se aos grilhões inferiores, aos superiores e às cinco faculdades).
- Page 5 Jāgara-sutta – Os despertos Uma divindade pergunta em enigma quantos estão despertos entre os que dormem, quantas coisas geram a poeira das impurezas e quantas purificam. O Buda responde que são cinco de cada, referindo-se às cinco faculdades que despertam e purificam das impurezas.
- Page 5–6 Appaṭividita-sutta – Os que não compreenderam Uma divindade recita um verso dizendo que quem ainda não penetrou o Dhamma costuma ser arrastado por outras doutrinas, como alguém adormecido que não acorda mesmo quando chega a hora. O Buda corrige: quem penetrou bem o Dhamma não é arrastado, desperta corretamente por si mesmo e segue em equilíbrio mesmo em terreno acidentado.
- Page 6 Susammuṭṭha-sutta – Os que esqueceram O conteúdo é semelhante ao do sutta anterior, mas usa a expressão “os que esqueceram o Dhamma”. A divindade diz que quem esqueceu o Dhamma é arrastado por outras doutrinas e continua adormecido. O Buda corrige: quem não esqueceu o Dhamma desperta corretamente e segue tranquilo mesmo em terreno acidentado.
- Page 6 Mānakāma-sutta – O apego à presunção Uma divindade diz que quem ama a presunção (māna) não tem como se disciplinar; mesmo vivendo só na floresta, se for negligente, não escapa do laço da morte. O Buda corrige: quem abandona a presunção, tem a mente bem concentrada, está liberto em toda parte e vive só na floresta com diligência, atravessa o laço da morte.
- Page 6–7 Arañña-sutta – Na floresta Uma divindade pergunta por que a pele de quem vive na floresta, pacífico e comendo uma única refeição por dia, é tão radiante. O Buda responde que é porque não se lamentam pelo passado, não se inquietam com o futuro e vivem no presente, ao contrário dos tolos, que definham como um junco verde cortado. (Fim do Naḷavagga, capítulo 1)
- Page 8–9 Nandana-sutta – O jardim Nandana O Buda conta que uma divindade do céu Tāvatiṃsa, deleitando-se no jardim Nandana, disse que quem nunca viu o Nandana não conhece a felicidade. Outra divindade a corrigiu: ela não sabe o que dizem os arahants — todas as formações são impermanentes, sujeitas a surgir e desaparecer; o apaziguamento das formações é que é a verdadeira felicidade.
- Page 9 Nandati-sutta – O deleite Uma divindade diz que quem tem filhos se alegra com os filhos, quem tem gado se alegra com o gado; a alegria nasce das aquisições (upadhi, aquilo a que se apega), e quem não as tem não se alegra. O Buda corrige ao contrário: quem tem filhos também sofre por causa dos filhos, pois as aquisições são causa tanto de felicidade quanto de sofrimento.
- Page 9–10 Natthiputtasama-sutta – Nada se iguala a um filho Uma divindade diz que não há amor igual ao amor pelos filhos, não há riqueza igual ao gado, não há luz igual ao sol, e o oceano é o maior de todos os corpos d’água. O Buda corrige: não há amor igual ao amor por si mesmo, não há riqueza igual ao arroz em casca, não há luz igual à sabedoria, e a chuva é que é o melhor de todos os corpos d’água.
- Page 10 Khattiya-sutta – O guerreiro Uma divindade diz que o rei guerreiro (khattiya) é o melhor entre os bípedes, o touro é o melhor entre os quadrúpedes, a jovem virgem é a melhor entre as esposas e o primogênito é o melhor entre os filhos. O Buda corrige: o Perfeitamente Iluminado é o melhor entre os bípedes, o cavalo puro-sangue é o melhor entre os quadrúpedes, e a esposa e o filho obedientes são os melhores.
- Page 10 Sakamāna-sutta – Ao meio-dia Uma divindade recita um verso descrevendo o meio-dia em que os pássaros pousam imóveis e a grande floresta fica silenciosa como se tivesse fugido — hora em que o medo surge na mente. O Buda recita o mesmo verso, mas troca a última palavra por deleite (e não medo) que surge nele, mostrando a mente sem medo de quem está livre das impurezas.
- Page 10–11 Niddātandī-sutta – Sonolência e preguiça Uma divindade diz que a sonolência, a preguiça, os bocejos, o descontentamento e o torpor após as refeições são obstáculos que impedem o nobre caminho de se manifestar aos seres. O Buda corrige: é removendo essas coisas com esforço que o nobre caminho se purifica.
- Page 11 Dukkara-sutta – Difícil de praticar Uma divindade diz que a vida de asceta (samaṇa) é difícil para quem não se disciplina, com muitos obstáculos nos quais os tolos afundam. O Buda amplia: sem controlar a mente, tropeça-se a cada passo; por isso se deve ser como a tartaruga que recolhe os membros no casco, contendo os pensamentos, sem depender dos outros nem prejudicá-los.
- Page 11 Hiri-sutta – A vergonha moral Uma divindade pergunta se existe no mundo alguém que, apoiado na vergonha moral (hiri, a vergonha de fazer o mal), se desperta do sono como um bom cavalo desperta com o chicote. O Buda responde que quem tem vergonha moral e se guia sempre pela atenção plena chega ao fim do sofrimento e segue tranquilo mesmo em terreno acidentado.
- Page 11–12 Kuṭikā-sutta – A cabana Uma divindade pergunta a um monge, em linguagem figurada, se ele não tem cabana, nem ninho, nem laços, e se está livre das amarras. O monge confirma e, quando questionado, explica que a “cabana” é a mãe, o “ninho” é a esposa, os “laços” são os filhos e as “amarras” são o desejo (taṇhā), e que ele abandonou tudo isso.
- Page 12–17 Samiddhi-sutta – Samiddhi O venerável Samiddhi vai se banhar nas fontes termais de Tapodā antes do amanhecer. Uma divindade o convida a desfrutar os prazeres sensuais antes de seguir a vida monástica. Samiddhi retruca que se deve abandonar aquilo que depende do tempo em favor do que se vê por si mesmo (o Dhamma). Não conseguindo responder a perguntas profundas, vai ter com o Buda. Este declara que quem se apega àquilo que pode ser nomeado cai sob o jugo da morte, e quem compreende plenamente e não se presume escapa da mo
- Page 19 Satti-sutta – A lança Uma divindade recita um verso comparativo: o monge deve viver atento para abandonar a paixão pelos prazeres sensuais, como alguém atingido por uma lança ou com fogo na cabeça precisa apagá-lo o quanto antes. O Buda recita o mesmo verso, mas muda o objetivo para o abandono da visão de identidade (sakkāya-diṭṭhi, a crença em um eu).
- Page 19–20 Phusati-sutta – Atinge Uma divindade diz que quem não é atingido primeiro não atinge os outros; quem é atingido primeiro então revida. O Buda amplia: quem ofende uma pessoa pura e sem impurezas vê o mal voltar para si mesmo, como a poeira atirada contra o vento que retorna sobre quem a atirou.
- Page 20 Jaṭā-sutta – O emaranhado Uma divindade pergunta: a humanidade está como um fio emaranhado por dentro e por fora — quem pode desfazer esse nó? O Buda responde que a pessoa sábia, firme na virtude, que desenvolve a mente e a sabedoria e é esforçada, pode desfazer o nó; e os arahants, que se livraram da paixão, da aversão e da ignorância, são os que de fato o desfazem, pois nome-e-forma cessa sem resto.
- Page 20 Manonivāraṇa-sutta – Refrear a mente Uma divindade diz que, de qualquer objeto do qual se refreia a mente, dele não vem sofrimento; por isso se deveria refrear a mente de tudo para escapar de todo sofrimento. O Buda corrige: não se deve refrear a mente de tudo indiscriminadamente, mas apenas daquilo que é mau.
- Page 20–22 Arahanta-sutta – O arahant Há um diálogo que examina se um arahant, que pôs fim ao renascimento, ainda diria “eu digo” ou “eles falam de mim”. A resposta é que ele ainda pode dizer isso, mas não por presunção; é apenas o uso hábil das convenções da linguagem do mundo. Quem abandonou totalmente a presunção pode falar a língua do mundo sem apego.
- Page 22 Pajjota-sutta – As luzes Uma divindade pergunta quantas luzes há no mundo que o iluminam. O Buda responde que são quatro: o sol, que ilumina de dia; a lua, que ilumina à noite; o fogo, que ilumina de dia e de noite; e o Perfeitamente Iluminado, que é a luz mais excelente entre todas as luzes.
- Page 22 Sara-sutta – As correntes Uma divindade pergunta onde as correntes do desejo retrocedem, onde o ciclo (vaṭṭa) não gira e onde nome-e-forma cessa sem resto. O Buda responde que é onde os elementos terra, água, fogo e ar não encontram apoio (isto é, o nibbāna) que essas coisas acontecem.
- Page 22–23 Mahaddhana-sutta – Os muito ricos Uma divindade pergunta: reis poderosos e ricos disputam os prazeres sensuais por não conhecerem o contentamento, afundados na correnteza da existência — quem no mundo não é tomado por essa ânsia? O Buda responde que quem deixa o lar, abandona filhos, abandona a paixão, a aversão e a ignorância e segue a vida monástica, isto é, o arahant, não é tomado por ânsia no mundo.
- Page 23 Catucakka-sutta – As quatro rodas Uma divindade pergunta em enigma: o corpo tem quatro rodas e nove portas, está cheio de cobiça e atolado na lama — como pode seguir a jornada da vida? O Buda responde que, cortando a correia e a tira de couro, o querer e a cobiça, e arrancando o desejo pela raiz, a jornada pode ser concluída.
- Page 23 Eṇijaṅgha-sutta – Pernas de antílope Uma divindade louva o Buda por ter pernas como as de um antílope, ser esbelto, comer pouco e andar só como um leão, sem apego aos prazeres sensuais, e então pergunta como se liberta do sofrimento. O Buda responde que há os cinco cordões dos prazeres sensuais, com a mente como sexto; ao se desfazer o desejo por eles, liberta-se do sofrimento. (Fim do Sattivagga, capítulo 3)
- Page 24–25 Sabbhi-sutta – Com os bons Um grupo de divindades recita, uma após a outra, o verso “deve-se conviver somente com os bons e estreitar a intimidade com os bons”, mas cada uma acrescenta um resultado diferente, como obter sabedoria, não se entristecer, brilhar entre os parentes e ir a um bom destino. Quando perguntam qual das falas é a melhor, o Buda diz que todas estão corretas a seu modo, mas acrescenta o resultado supremo: a libertação de todo sofrimento.
- Page 25–28 Macchari-sutta – A avareza Um grupo de divindades conversa sobre a doação. Começa com o verso de que, por avareza e negligência, a doação não se realiza, e quem deseja mérito deve doar. Outras divindades acrescentam que o avarento teme justamente a fome que o faz não doar, e que quem dá pouco com fé tem mérito igual a quem dá mil. No fim do sutta, o Buda aponta que a doação obtida matando ou prejudicando seres (como nos sacrifícios) não tem o benefício da doação feita de modo justo.
- Page 28–31 Sādhu-sutta – Bom Um grupo de divindades exclama uma após a outra em louvor à doação: “doar é bom”, e acrescentam que doar mesmo pouco é bom, doar com fé é bom, doar o que foi obtido de modo justo é bom, e a doação escolhida para quem é digno de receber (viceyya-dāna) é ainda melhor; também a contenção e o não prejudicar os seres é bom. Por fim o Buda diz que o caminho da sabedoria é ainda mais excelente que a doação, pois os bons de outrora alcançaram o nibbāna pela sabedoria.
- Page 31–33 Nasanti-sutta – Não há Uma divindade diz que os prazeres sensuais entre os humanos não são permanentes, mas no mundo ainda há coisas desejáveis às quais as pessoas se prendem; quem é negligente com elas não tem como voltar do laço da morte. Segue-se um diálogo com Mogharāja sobre quem ainda não viu tal liberto. O Buda diz que quem reverencia e compreende o Dhamma desse liberto também é considerado alguém que superou os apegos.
- Page 33–35 Ujjhānasaññī-sutta – Os críticos Um grupo de divindades de mentalidade crítica vem acusar o Buda de dizer uma coisa e fazer outra, como um jogador trapaceiro. O Buda corrige: a libertação não se alcança apenas com palavras ou ouvindo; é preciso praticar segundo o caminho firme. Quando as divindades reconhecem o erro e pedem desculpas, ele sorri e aceita de bom grado o pedido de desculpas, mesmo que elas voltem a criticá-lo.
- Page 35–36 Saddhā-sutta – A fé Uma divindade diz que a fé é a companheira do ser humano; se ele não se agarra à falta de fé, a fama e a honra são suas e, após a morte, vai para o céu. O Buda responde com versos sobre abandonar a presunção e a raiva, e adverte sobre a diligência: o sábio deve guardar a diligência como seu tesouro mais precioso.
- Page 36–37 Samaya-sutta (Mahāsamaya) – A grande assembleia O Buda está na Grande Floresta (Mahāvana) perto de Kapilavatthu, com 500 monges arahants. Divindades de dez mil sistemas de mundos se reúnem para ver o Buda e a comunidade de monges. Quatro divindades das Moradas Puras (Suddhāvāsa) recitam versos em louvor a essa grande assembleia, descrevendo os monges que guardam os sentidos como um cocheiro, que cortaram as impurezas como quem arranca a estaca de uma barragem e estão puros, e que quem toma refúgio no Buda não irá para os estados de privação.
- Page 37–41 Sakalika-sutta – A lasca de pedra O pé do Buda é ferido por uma lasca de pedra e ele sente dores intensas, mas as suporta com atenção plena e clara compreensão, sem inquietação. Setecentas divindades vêm louvá-lo com vários epítetos, como nāga, leão e puro-sangue, dizendo que sua paciência faz jus a essas qualidades. Termina com versos em louvor à sua concentração e à sua mente liberta, que são mais excelentes que a ascese dos brâmanes cuja mente ainda não está verdadeiramente liberta.
- Page 41 Paṭhamapajjunnadhītu-sutta – A filha de Pajjunna (1) Kokanadā, filha do deus Pajjunna, vem ver o Buda na Grande Floresta, em Vesālī. Ela recita versos de homenagem dizendo que antes só ouvira falar do Dhamma por rumores, mas agora o comprovou por si mesma, e adverte que quem critica o nobre Dhamma cai no inferno por longo tempo, enquanto quem tem aceitação paciente do nobre Dhamma renasce entre as divindades.
- Page 41–43 Dutiyapajjunnadhītu-sutta – A filha de Pajjunna (2) Cūḷakokanadā, outra filha do deus Pajjunna, também vem ver o Buda, recita versos de reverência e pede que ele ensine o Dhamma resumidamente. O Buda resume: não se deve fazer o mal por fala, mente ou corpo; deve-se abandonar os prazeres sensuais com atenção plena e clara compreensão; e não se deve buscar sofrimento inútil. (Fim do Satullapakāyikavagga, capítulo 4)
- Page 44 Āditta-sutta – Em chamas Uma divindade compara o mundo a uma casa em chamas: só os utensílios que se consegue tirar de lá têm utilidade. Assim também o mundo consumido pela velhice e pela morte; deve-se retirar dele o que se puder por meio da doação, pois o que foi dado traz felicidade como fruto, enquanto o que não foi dado pode ser destruído por ladrões ou pelo fogo, e no fim até o corpo precisa ser deixado. Por isso o sábio deve tanto usufruir quanto doar.
- Page 44 Kiṃdada-sutta – Dando o quê? Uma divindade pergunta o que se deve dar para ser chamado de doador de força, de beleza, de felicidade e de visão, e o que se deve dar para ser chamado de doador de tudo. O Buda responde que alimento, roupa, veículo e lâmpada dão esses frutos respectivamente; quem dá abrigo é chamado doador de tudo; e quem ensina o Dhamma é chamado doador do imortal.
- Page 44–45 Anna-sutta – O alimento Diz-se que divindades e humanos se deleitam com o alimento; quem não se deleita com o alimento é chamado de yakkha. O Buda explica que quem dá alimento com fé e mente serena recebe o fruto neste mundo e no próximo; por isso se deve eliminar a avareza e doar, pois o mérito é o apoio dos seres no mundo seguinte.
- Page 45 Ekamūla-sutta – Uma só raiz Um breve verso-enigma fala de algo com uma só raiz, dois redemoinhos, três manchas, cinco extensões e um oceano com doze redemoinhos, dizendo que o sábio (isi) atravessou esse abismo. É um verso simbólico sobre o praticante que atravessou o complexo ciclo de renascimentos.
- Page 45 Anomiya-sutta – O de nome não inferior Breves versos descrevem uma pessoa de nome não inferior, que vê o sentido sutil, doa sabedoria e não se prende à morada dos prazeres sensuais. Convidam a olhar para essa pessoa que conhece tudo plenamente, de sabedoria suprema, que segue o nobre caminho — referência ao arahant que busca a grande qualidade.
- Page 45–46 Accharā-sutta – As ninfas Uma divindade pergunta sobre uma floresta chamada “Mohana”, ressoando com o som das ninfas e habitada por espíritos: como atravessá-la? O Buda responde com uma imagem: o caminho reto chama-se “sem medo”; o Dhamma são as rodas do carro, a vergonha moral é o encosto, a atenção plena é a proteção e o Dhamma é o cocheiro guiado pela visão correta. Quem tem tal veículo certamente está perto do nibbāna.
- Page 46 Vanaropa-sutta – Plantadores de bosques Uma divindade pergunta de quem é o mérito que cresce dia e noite, e quem, firme no Dhamma, vai para o céu. O Buda responde que quem planta pomares, planta bosques, constrói pontes, cava poços e oferece abrigo vê seu mérito crescer dia e noite.
- Page 46 Jetavana-sutta – O bosque de Jeta Uma divindade recita versos em louvor ao Bosque de Jeta (Jetavana), morada da comunidade de sábios e do Rei do Dhamma, que lhe traz alegria. Aponta que a ação, o conhecimento, o Dhamma, a virtude e o meio de vida excelente purificam os seres humanos, e não a linhagem ou a riqueza, citando Sāriputta, perfeito em sabedoria, virtude e serenidade, como exemplo.
- Page 46–48 Macchari-sutta – O fruto dos avarentos e dos generosos Uma divindade pergunta sobre o resultado das ações dos avarentos de língua ferina que impedem os outros de doar. O Buda responde que essas pessoas renascem no inferno, no reino animal ou no mundo de Yama; mesmo que nasçam humanas, são pobres e não realizam seus desejos. Ao contrário, quem tem fé e confiança na Joia Tríplice vai para o céu após a morte, ou renasce humano em família rica, desfrutando felicidade como as divindades.
- Page 48–50 Ghaṭīkāra-sutta – Ghaṭīkāra Uma divindade diz que sete monges renasceram no mundo de Brahmā chamado Avihā, libertos, sem paixão nem aversão, e cita os nomes desses monges. Quando o Buda pergunta em que ensinamento se apoiaram, a divindade responde que foi no ensinamento dele, e revela que foi um oleiro chamado Ghaṭīkāra no tempo do Buda Kassapa e amigo do Buda atual, o que o Buda confirma ser verdade. (Fim do Ādittavagga, capítulo 5)
- Page 50 Jarā-sutta e Ajarasā-sutta – Até a velhice Dois versos-enigma quase idênticos perguntam o que é bom até a velhice, o que é bom quando está firme, qual é a joia do ser humano e o que os ladrões não conseguem roubar. O Buda responde que a virtude é boa até a velhice, a fé é boa quando está firme, a sabedoria é a joia do ser humano e o mérito é o que os ladrões não conseguem roubar.
- Page 50–51 Mitta-sutta – Os amigos Uma divindade pergunta quem é o amigo do viajante, o amigo em casa, o amigo quando há algo a resolver e o amigo na vida futura. O Buda responde que a caravana é a amiga do viajante, a mãe é a amiga em casa, o companheiro é o amigo quando há algo a resolver, e o mérito que a própria pessoa fez é que é o amigo na vida futura.
- Page 51 Vatthu-sutta – O apoio Uma divindade pergunta o que é o apoio dos seres humanos, qual é o melhor companheiro e do que vivem os seres que dependem da terra. O Buda responde que os filhos são o apoio dos seres humanos, a esposa é o melhor companheiro e a chuva é aquilo de que vivem os seres.
- Page 51–52 Jana-sutta (primeiro, segundo e terceiro) – O que gera a pessoa Uma série de três suttas-enigma com a mesma estrutura pergunta o que gera a pessoa, o que corre desenfreado dentro dela, o que a leva ao ciclo de renascimentos (saṃsāra) e o que é seu grande perigo / o que a impede de se libertar / o que é seu refúgio. O Buda responde da mesma forma em todos os suttas que o desejo gera a pessoa e a mente corre desenfreada atrás do desejo, e cada sutta indica um resultado diferente: o sofrimento é o grande perigo, ela não se liberta do sofrimento, e o kamma é o s
- Page 52 Uppatha-sutta – O caminho errado Uma divindade pergunta qual é o caminho errado, o que faz os dias e as noites se esgotarem, qual é a mancha da vida santa e qual é o banho que não precisa de água. O Buda responde que a paixão é o caminho errado, a idade que passa esgota os dias e as noites, a mulher é a mancha da vida santa, e a ascese junto com a vida santa é o banho que não precisa de água.
- Page 52 Dutiya-sutta – O companheiro Uma divindade pergunta o que é o segundo companheiro do ser humano, o que o instrui e em que ele deve se deleitar para se libertar de todo sofrimento. O Buda responde que a fé é o segundo companheiro, a sabedoria o instrui, e quem se deleita no nibbāna se liberta de todo sofrimento.
- Page 52–54 Kavi-sutta – O poeta Uma divindade pergunta qual é a origem dos versos (poesia), o que os expressa, em que os versos se apoiam e qual é a morada dos versos. O Buda responde que o metro (chanda) é a origem, as sílabas são sua expressão, os versos se apoiam em nomes, e o poeta é a morada dos versos. (Fim do Jarāvagga, capítulo 6)
- Page 54 Nāma-sutta, Citta-sutta e Taṇhā-sutta – Nome, mente e desejo Uma série de três suttas-enigma de mesma estrutura pergunta o que cega todas as coisas, o que não tem nada que o supere e qual é a única coisa sob cujo poder todas as coisas caem. O Buda responde de modo diferente em cada um: o “nome” (nāma) cega; a “mente” (citta) conduz o mundo e o domina; e o “desejo” (taṇhā) conduz o mundo e o domina — mostrando três poderes que dominam todos os seres.
- Page 55 Saṃyojana-sutta e Bandhana-sutta – O grilhão e a amarra Dois versos-enigma quase idênticos perguntam o que prende o mundo, o que faz o mundo vagar e o abandono de quê se chama nibbāna ou corta todas as amarras. O Buda responde que o deleite (nandi) prende o mundo, o pensamento (vitakka) faz o mundo vagar, e somente o abandono do desejo se chama nibbāna.
- Page 55 Abbhāhata-sutta – Golpeado Uma divindade pergunta por que o mundo é golpeado, pelo que é cercado, por que flecha é trespassado e pelo que é sempre queimado. O Buda responde que o mundo é golpeado pela morte, cercado pela velhice, trespassado pela flecha do desejo e sempre queimado pela ânsia.
- Page 55 Uḍḍita-sutta – Enlaçado Uma divindade pergunta pelo que o mundo está enlaçado, pelo que está cercado, pelo que está bloqueado e sobre o que se sustenta. O Buda responde que o mundo está enlaçado pelo desejo, cercado pela velhice, bloqueado pela morte e se sustenta sobre o sofrimento. É o último sutta que aparece neste trecho; o conteúdo do Andhavagga (capítulo 7) ainda não termina e continua na parte seguinte do volume.
- Page 56 Pihita-sutta, Icchā-sutta e Loka-sutta (final do Andhavagga) Uma divindade faz ao Buda três breves perguntas-enigma sobre o que envolve, prende e aflige o mundo. Ele responde que a morte envolve o mundo, o sofrimento é a base do mundo, o desejo ergue o mundo, a velhice o cerca; o mundo está preso pela ânsia (icchā) e se liberta abandonando essa ânsia; e o mundo surge, se relaciona, se apoia e é afligido apenas por causa das seis bases dos sentidos. Conclui o Andhavagga, capítulo 7 do Devatā-saṃyutta.
- Page 57 Chetvā-sutta – Tendo matado Uma divindade pergunta o que se deve matar para viver feliz, o que se deve matar para não se entristecer, e qual é a única coisa cuja morte o Buda louva. O Buda responde que é a raiva, que tem raiz venenosa e ponta doce; os nobres louvam matar a raiva porque, depois de matá-la, não há tristeza. É o primeiro sutta do Chetvāvagga, capítulo 8.
- Page 57 Ratha-sutta – O carro Uma divindade pergunta qual é a insígnia de um carro, do fogo, de um reino e de uma mulher. O Buda responde que a bandeira é a insígnia do carro, a fumaça é a do fogo, o rei é a do reino e o marido é a da mulher. É um ensinamento breve por comparação.
- Page 57–58 Vitta-sutta – A riqueza Uma divindade pergunta qual é a melhor riqueza para o ser humano, o que, quando praticado, traz felicidade, qual é o melhor sabor e qual é a melhor forma de viver. O Buda responde que a fé é a melhor riqueza, o Dhamma bem praticado traz felicidade, a verdade é o melhor sabor, e viver com sabedoria é a melhor vida.
- Page 58 Vuṭṭhi-sutta – A chuva Uma divindade pergunta qual é a melhor coisa entre as que sobem, as que caem, as que andam e os que falam. O Buda responde em dois níveis: primeiro o mundano (sementes, chuva, gado, filhos) e depois o mais elevado (conhecimento, ignorância, Saṅgha, o Buda), como o que há de melhor em cada categoria.
- Page 58–59 Bhīta-sutta – Com medo Uma divindade pergunta por que os seres temem o outro mundo e em que devem se firmar para não temer. O Buda responde que quem contém a fala e a mente, não faz o mal com o corpo, sustenta os outros com alimento e bebida, tem fé, é gentil, generoso e sabe falar — firmado nessas quatro coisas — não teme o outro mundo.
- Page 59 Najīrati-sutta – Não envelhece Uma divindade faz de uma só vez várias perguntas-enigma: o que envelhece, o que não envelhece, qual é o caminho errado, qual é a mancha da vida santa e quantas brechas há no mundo que impedem a mente de se firmar. O Buda responde que o corpo físico envelhece, mas o nome e o clã não envelhecem; a paixão é o caminho errado; a cobiça é um obstáculo ao Dhamma; a mulher é a mancha da vida santa; e a preguiça, a negligência e a sonolência são as brechas do mundo.
- Page 60 Issara-sutta – O domínio Uma divindade pergunta o que é o domínio no mundo, a coisa mais valiosa, a mancha das armas e o perigo do mundo. O Buda responde que o poder é o domínio, a mulher é a coisa mais valiosa, a raiva é a mancha das armas e os ladrões são o perigo do mundo; mas o asceta que traz o bem é querido e honrado pelos sábios.
- Page 60 Kāma-sutta – O desejo Uma divindade pergunta o que a pessoa não deve dar ou renunciar e que tipo de fala deve soltar. O Buda responde que não se deve dar ou renunciar a si mesmo (isto é, não se deve fazer mal a si mesmo), e que se deve soltar a fala boa e não soltar a fala má.
- Page 60–61 Pātheyya-sutta – As provisões de viagem Uma divindade pergunta o que amarra as provisões de viagem, qual é a morada das riquezas, o que arrasta as pessoas e o que é mais difícil de abandonar no mundo. O Buda responde que a fé amarra as provisões, a boa fortuna (sirī) é a morada das riquezas, e a ânsia (icchā) arrasta as pessoas e é a mais difícil de abandonar; os seres estão presos pela ânsia como pássaros na armadilha do caçador.
- Page 61 Pajjota-sutta – A luz Uma divindade pergunta qual é a luz do mundo, o que é o despertar do mundo e o que sustenta todos os seres. O Buda responde que a sabedoria é a luz do mundo, a atenção plena é o despertar, o gado é o instrumento do trabalho, e a chuva sustenta todas as vidas como uma mãe sustenta o filho.
- Page 61–62 Araṇa-sutta – Sem conflito Uma divindade pergunta quem no mundo não tem impurezas inimigas, quem não decai da vida que cultivou, quem compreende plenamente a ânsia e quem, mesmo nascido em família humilde, é reverenciado pelos reis. O Buda responde que é o asceta, que compreende plenamente a ânsia e está livre das impurezas; mesmo de nascimento humilde, é reverenciado por pais e reis. Fim do capítulo 8 e de todo o Devatā-saṃyutta.
- Page 63 Paṭhamakassapa-sutta – Kassapa (1) Abre o Devaputta-saṃyutta. O filho de deus (devaputta) Kassapa visita o Buda à noite e pergunta: o Buda ensinou o Dhamma aos monges, mas os monges também se instruem entre si? O Buda pede que o próprio Kassapa enuncie esse ensinamento. Ele diz que o monge deve treinar-se na boa palavra, no convívio com ascetas, no sentar-se só em lugar isolado e no apaziguamento da mente, com o que o Buda concorda.
- Page 63–64 Dutiyakassapa-sutta – Kassapa (2) O devaputta Kassapa (outro) recita diante do Buda um verso dizendo que o monge deve ser meditador (jhāyī), de mente liberta, aspirar à realização do coração, conhecer o surgir e o cessar do mundo, ter mente nobre e não depender de nada — assim obterá esse benefício. É um verso curto na mesma linha de outro que aparecerá nos suttas seguintes.
- Page 64 Māgha-sutta – Māgha O devaputta Māgha faz o mesmo enigma do Chetvā-sutta: o que se deve matar para viver feliz e sem tristeza. O Buda responde como antes que é a raiva, de raiz venenosa e ponta doce; matar a raiva é algo que os nobres louvam.
- Page 64–65 Māgadha-sutta – Māgadha O devaputta Māgadha pergunta quantas luzes há no mundo que o iluminam. O Buda responde que são quatro: o sol, que ilumina de dia; a lua, que ilumina à noite; o fogo, que ilumina de dia e de noite; mas o Perfeitamente Iluminado é a luz mais excelente, acima de todas.
- Page 65–66 Dāmali-sutta – Dāmali O devaputta Dāmali diz que o brâmane deve se esforçar incansavelmente para abandonar os prazeres sensuais. O Buda responde que, para o brâmane que extinguiu as impurezas e chegou à outra margem, não há mais nada a fazer: é como alguém que ainda não encontrou apoio no rio e precisa continuar nadando, mas, uma vez em terra firme na margem, não precisa mais se esforçar.
- Page 66 Kāmada-sutta – Kāmada O devaputta Kāmada diz que aquilo que o Buda ensina (viver a vida santa, o contentamento, a concentração da mente e o caminho acidentado) é muito difícil de fazer. O Buda responde ponto por ponto que quem tem virtude e concentração, quem se deleita na calma da mente e quem guarda os sentidos consegue fazê-lo, e os nobres atravessam aquele caminho acidentado como se fosse plano.
- Page 71 Suriya-sutta – O deus Sol O acontecimento repete o do sutta anterior, mas é o devaputta Sol (Suriya) que é capturado por Rāhu. O Buda manda Rāhu soltar o Sol, a luz que ilumina o mundo; Rāhu o solta e dá a Vepacitti a mesma razão: temia que a cabeça se partisse se não obedecesse. Fim do capítulo 1 do Devaputta-saṃyutta.
- Page 72 Candimasa-sutta – Candimasa Abre o capítulo 2 (Anāthapiṇḍikavagga). O devaputta Candimasa recita um verso dizendo que os meditadores que alcançam a unificação da mente chegam à segurança. O Buda corrige: na verdade, são os meditadores que cortam a rede das impurezas e são diligentes que chegam à outra margem.
- Page 72–73 Veṇḍu-sutta – Veṇḍu O devaputta Veṇḍu louva como felizes os seres humanos que puderam ver o Bem-Aventurado (Sugata) e praticam segundo o ensinamento de Gotama. O Buda corrige: somente quem se empenha em treinar segundo esse ensinamento com diligência, no tempo oportuno, não cai sob o poder da morte.
- Page 73 Dīghalaṭṭhi-sutta – Dīghalaṭṭhi O devaputta Dīghalaṭṭhi, em Rājagaha, recita o mesmo verso que já aparecera antes (o monge deve ser meditador, de mente liberta, conhecer o surgir e o cessar do mundo), mostrando que esse ensinamento era amplamente conhecido entre várias divindades.
- Page 73–74 Nandana-sutta – Nandana O devaputta Nandana pergunta sobre as características de quem é virtuoso, de quem é sábio, de quem ultrapassou o sofrimento e de quem é venerado pelas divindades. O Buda responde que é aquele que é virtuoso, sábio, desenvolvido, concentrado, que se deleita no jhāna, atento, livre de tristeza e de todas as impurezas; tal pessoa é assim chamada em todos os sentidos.
- Page 74–75 Candana-sutta – Candana O devaputta Candana pergunta como atravessar a enchente (ogha, a correnteza das impurezas) dia e noite sem afundar nas profundezas, mesmo sem ter onde se apoiar. O Buda responde que quem é perfeito em virtude, sabedoria, concentração e esforço, livre de percepções sensuais e dos grilhões da forma, e que extinguiu o deleite na existência, atravessa a enchente sem afundar.
- Page 75 Vāsudatta-sutta – Vāsudatta O devaputta Vāsudatta diz que o monge deve, com atenção plena, abandonar a paixão sensual com urgência, como alguém atingido por uma espada ou com a cabeça em chamas. O Buda acrescenta que se deve abandonar a visão de identidade (sakkāya-diṭṭhi, a crença em um eu) com essa mesma urgência.
- Page 75 Subrahma-sutta – Subrahmā O devaputta Subrahmā diz que esta mente está sempre assustada, tanto com os assuntos que ainda não surgiram quanto com os que já surgiram, e pergunta se há algo que não assuste. O Buda responde que a segurança dos seres só vem pelos fatores do despertar (bojjhaṅga), pela contenção dos sentidos e pela renúncia a tudo.
- Page 76 Kakudha-sutta – Kakudha O devaputta Kakudha sonda o Buda perguntando se ele se alegra ou se entristece com alguma coisa. O Buda responde que não se alegra nem se entristece, pois a alegria sempre vem junto com a tristeza; quem não tem nenhuma das duas extinguiu as impurezas e está completamente sereno. Kakudha então louva, dizendo que é raro encontrar um brâmane assim, plenamente extinto (parinibbuta).
- Page 77 Uttara-sutta – Uttara O devaputta Uttara, em Rājagaha, recita um verso de advertência: a vida é conduzida para perto da morte a cada momento e não há defesa contra a velhice; vendo o perigo da morte, deve-se fazer mérito que traga felicidade. O Buda corrige o último verso: na verdade, deve-se abandonar a isca do mundo, buscando a paz.
- Page 77–79 Anāthapiṇḍika-sutta – Anāthapiṇḍika Um devaputta (que depois o Buda revela a Ānanda ser o comerciante Anāthapiṇḍika, que morreu e renasceu como divindade) vem louvar o Bosque de Jeta e o Dhamma do Buda, dizendo que os seres se purificam pela ação, pelo conhecimento, pelo Dhamma, pela virtude e pela vida excelente, e não pela linhagem ou pela riqueza, e exalta Sāriputta como alguém que chegou à outra margem pela sabedoria e pela virtude. Fim do capítulo 2.
- Page 80–81 Siva-sutta – Siva Abre o capítulo 3 (Nānātitthiyavagga). O devaputta Siva recita uma série de versos ensinando que se deve conviver e estreitar a intimidade com os bons, pois, conhecendo o verdadeiro Dhamma dos bons, obtém-se sabedoria, não se entristece, brilha-se entre os parentes e vai-se a um bom destino. O Buda acrescenta ao final que também se liberta de todo sofrimento.
- Page 81–82 Khema-sutta – Khema O devaputta Khema recita versos ensinando que os tolos costumam fazer más ações de fruto amargo, como se fossem inimigos de si mesmos; a ação da qual depois se arrepende não é boa, e a ação da qual não se arrepende é que é boa. O sábio não deve seguir o caminho errado, como o carroceiro que deixa a estrada principal por um caminho acidentado até quebrar o eixo.
- Page 82–85 Serī-sutta – Serī O devaputta Serī pergunta por que certos yakkhas não se deleitam com o alimento, se humanos e divindades em geral se deleitam. O Buda responde que quem doa com fé e mente serena recebe o fruto do mérito neste mundo e no próximo; por isso se deve eliminar a avareza e doar. Serī então conta sua vida passada como o rei Serī, grande doador; mesmo depois de delegar a doação a outros a ponto de ele próprio não ter mais oportunidade de doar, ainda não conseguia medir o mérito das doações feitas por tan
- Page 85–86 Ghaṭīkāra-sutta – Ghaṭīkāra O devaputta Ghaṭīkāra fala dos sete monges libertos que renasceram no mundo de Brahmā chamado Avihā, sem paixão nem aversão, tendo superado o desejo no mundo. Quando o Buda pergunta como os conhece, Ghaṭīkāra conta que, numa vida passada, foi um oleiro chamado Ghaṭīkāra, que servia o Buda Kassapa e era amigo do Bodhisatta naquela vida, e por isso se lembra desses monges.
- Page 86–87 Jantu-sutta – Jantu Um grupo de monges nos Himalaias comporta-se de modo insolente, agitado e sem guardar os sentidos. O devaputta Jantu vem adverti-los em versos: antes, os discípulos de Gotama viviam com simplicidade, sem cobiça, e conhecendo a impermanência do mundo punham fim ao sofrimento; mas agora alguns se deixam levar pela embriaguez. Ele diz que censura os negligentes e se inclina diante dos diligentes.
- Page 87–89 Rohitassa-sutta – Rohitassa O devaputta Rohitassa pergunta se é possível viajar até o fim do mundo (onde não há nascimento, velhice, morte, falecimento nem renascimento). O Buda diz que não há como chegar ao fim do mundo viajando. Rohitassa conta então sua vida passada como um asceta com o poder de voar mais rápido que uma flecha, que viajou cem anos sem chegar ao fim do mundo e morreu antes. O Buda conclui que ele declara o mundo, a origem do mundo, a cessação do mundo e o caminho para a cessação do mundo neste mesmo corp
- Page 89–90 Nanda-sutta – Nanda O devaputta Nanda recita um verso de advertência: o tempo passa, as noites e os dias se vão, a juventude declina pouco a pouco; vendo o perigo da morte, deve-se fazer mérito que traga felicidade. O Buda corrige o último verso como no Uttara-sutta: na verdade, deve-se abandonar a isca do mundo, buscando a paz.
- Page 90 Nandivisāla-sutta – Nandivisāla O devaputta Nandivisāla pergunta em enigma sobre uma carroça de quatro rodas e nove portas, cheia de cobiça e suja de lama (referindo-se ao corpo): como ela pode viajar (seguir a vida)? O Buda responde que, cortando a corda e a correia, isto é, o querer e a cobiça má, e arrancando o desejo pela raiz, a viagem pode ser concluída.
- Page 90–94 Susīma-sutta – Susīma Ānanda pergunta ao Buda se ele aprova Sāriputta e então descreve longamente as qualidades de Sāriputta: grande sabedoria, sabedoria ampla, sabedoria ágil, sabedoria penetrante, poucos desejos, contentamento e retiro. O Buda confirma o mesmo. Nesse momento, o devaputta Susīma, com um grande séquito de divindades, vem ouvir esse louvor com alegria, reluzindo como uma gema de berilo ou ouro brilhante, e recita versos em louvor a Sāriputta como um sábio sem raiva, de poucos desejos e modesto. O Buda
- Page 94–97 Nānātitthiya-sutta – Os seguidores de outras escolas Seis devaputtas que haviam sido discípulos de diferentes mestres de outras escolas (Pūraṇa Kassapa, Makkhali Gosāla, Nigaṇṭha Nātaputta e outros) vêm ver o Buda e recitam versos sobre seus mestres, em tom irônico ou elogioso, mas todos mostram que esses mestres ainda não estão livres do mal ou ainda estão maculados. Mesmo quando Māra se infiltra e intervém, o Buda o percebe e responde revelando a verdade. Por fim, o devaputta Māṇavagāmiya louva o Buda como o supremo em todo o mundo, assim como o
- Page 188–189 Āḷavikā-sutta – A monja Āḷavikā Início do Bhikkhunī-saṃyutta. A monja Āḷavikā vai ao Bosque dos Cegos (Andhavana) para se recolher em retiro. Māra vem ameaçá-la dizendo que não há saída do mundo e que, por isso, ela deveria desfrutar os prazeres sensuais em vez de se retirar. Ela percebe que é Māra e responde que já encontrou a saída pela sabedoria; os prazeres sensuais são como lanças e estacas que perfuram os agregados, e aquilo que Māra chama de deleite nos prazeres sensuais é algo que não lhe agrada em nada. Māra é derrota
- Page 189–190 Somā-sutta – A monja Somā A monja Somā está em retiro no Bosque dos Cegos. Māra vem dizer que o estado alcançado pelos sábios é dificílimo e que uma mulher, com sua sabedoria de “dois dedos”, não tem como alcançá-lo. Ela percebe que é Māra e responde que, quando a mente está bem concentrada e o conhecimento vê o Dhamma corretamente, ser mulher ou homem não tem nenhum efeito sobre a realização; palavras assim só servem para Māra. Māra é derrotado e desaparece.
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